Publicado em 17/07/2012
Por Giuseppe Tropi Somma
Comissão da Verdade.
Do passado ou do presente?

Esta
história de vítimas da ditadura já conhecemos, dita por algum
“desertor”. Sabemos que os nossos bravos lutadores, naquela época, não
arriscaram suas vidas pela democracia, mas para chegar ao poder com a
implantação de um regime comunista ditatorial, nos moldes de Cuba, e com
os mesmos métodos revolucionários de Fidel Castro.
Naqueles tempos, podiam-se usar os métodos revolucionários porque eles contavam com o amparo da Rússia, de Cuba, e até da China.
Hoje, com a queda da máscara do
comunismo, não se admitem mais revoluções desse tipo, razão pela qual os
nossos heróis optaram pela possibilidade e conseguiram chegar ao poder
por vias democráticas, e para não mais sentirem-se tachados de
terroristas, decidiram promover a autoabsolvição, intitulando-se
mártires e heróis ao mesmo tempo. Visto que o povo não está nada
convencido desse autojulgamento, sentiram a necessidade de instalar a
chamada “Comissão da Verdade”, que, se nada provar, ao menos servirá
para mostrar ao povo que, para chegar ao poder, não basta uma campanha
de promessas, precisa-se de muita luta, e luta sangrenta. Mas a corajosa
empreitada compensou. Aliás, se naquela época o povo soubesse o
desfecho dessa luta revolucionária, garanto que 99,99% dos brasileiros
teria sido um guerrilheiro fanático (só que hoje faltaria gente para
trabalhar, rsrsrs…). Eita negócio bom! Mas isso é pra gente de muita
visão.
Por seu significado nulo, entendemos que
essa Comissão da Verdade, do passado, só tem uma finalidade: tentar
dispersar as atenções do povo da “verdade atual”, dos mensalões, dos
Deltas, Cachoeiras etc. É isso que nós queremos. Mexer lá atrás não
adianta. Já deu o que tinha que dar, e para quem tinha que dar. O povo
gostaria de ver a Comissão da Verdade do presente e não do passado. Mas
isso ninguém quer mostrar, porque quem deveria fiscalizar a ética neste
país está envolvido até o pescoço com os contraventores, sejam os das
“tribunas”, sejam os dos “tribunais”, fazendo nós das “tribos” de
palhaços. Nenhum dos três poderes está incólume nas verdades de hoje,
nem mesmo o maior partido da oposição. Porque “nunca na história deste
país” se trapaceou tanto quanto nesta última década. Teve quem, por
falta de criatividade, o fez e o faz com a maior cara de pau,
menosprezando a opinião pública, e tem quem o fez e o faz dando uma de
santinho, agindo formalmente, dentro das normas legais. Digo isso porque
é justo fiscalizar o bando do PT, mas ninguém pergunta ao PSDB o porquê
de os paulistas pagarem um pedágio de R$ 0,14 a R$ 0,15 por quilômetro
rodado, isto é, de sete a oito vezes mais caro do que pagamos numa
rodovia federal, como a Fernão Dias, onde se paga apenas R$ 0,02 por
quilômetro. Em São Paulo existe (e está se expandindo por outros
estados) um governo tributário privado, chamado “pedágio”, que
representa uma gigantesca arrecadação, maior do que a de muitos países
da América Latina. Nele o cidadão é assaltado diariamente, de vários
modos, e ninguém reclama porque não gosta de se expor. Futuramente, com
certeza, a sociedade brasileira acordará e exigirá uma Comissão da
Verdade referente aos nossos atuais tempos, mas também, a essa altura,
seremos coisas do passado e o povo provavelmente não vai mais se
interessar por isso. Digam-me que a tecnologia avançou muito, sim, mas
dizer que a sociedade evoluiu muito? Não, por favor! Não pode existir
evolução social com a regressão dos valores morais.
* Reprodução liberada *
Cav. Giuseppe Tropi Somma é empresário, membro da Abramaco e presidente do Grupo Cavemac.
giuseppe@cavemac.com.br
Fonte:
Revista Costura Perfeita
Ponto de Vista!!!