Há alguns
bilhões de anos uma sopa química deu origem a vida em nosso planeta. Antigas
formas de vida foram ficando mais e mais sofisticadas por meio de três simples
mecanismos (mutação, cruzamento e seleção), fantasticamente explicados por
Darwin, em 1859. Alguns organismos começaram a desenvolver estruturas neurais,
capacidade de se comunicar e de criar ferramentas. Desenvolvemos a capacidade
do design, de criar o novo, também criamos a arte, a ciência e a tecnologia,
com a qual dominamos todas as outras formas de vida. Com a capacidade de criar
aceleramos ainda mais o processo e ganhamos escala.
Mudamos
tudo a nossa volta e criamos um modelo de vida além do que os recursos do
planeta seriam capazes de sustentar. Alguém poderia dizer: “É porque somos
muitos!”, mas será que é por isto mesmo? Se compararmos a biomassa humana com a
biomassa das formigas, por exemplo, as formigas pesam de três a quatro vezes
mais que nós. Seria o equivalente a ter 30 bilhões de pessoas no planeta atualmente.
Também, alguém poderia dizer: “É porque não tem dinheiro para todo mundo!”, mas
será que é falta de dinheiro? Lembro-me do Ted Turner, criador da CNN, dizer
que os trilhões de dólares gastos na guerra-fria seriam suficientes para todo
ser humano viver no paraíso material, ou seja, não é porque somos muitos ou
porque não temos dinheiro, mas sim pelo modelo de vida que escolhemos.
Podemos
pensar a tecnologia, a comunicação e a competição do mundo atual como partes de
um processo similar aos usados na seleção natural. A tecnologia atua como um
mecanismo de mutação e constantemente gera novas possibilidades. A comunicação
e a conectividade permitem a combinação de ideias equivalente a um mecanismo de
cruzamento. E, por fim, a competição dos mercados atua como um grande processo
de seleção, decidindo o que sobrevive e passa para a próxima geração. Uma
dinâmica capaz de nos manter em constante revolução e de criar toda essa
diversidade de ideias, produtos, serviços e experiências que estamos
presenciando.
Darwin
nunca disse que era o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive, o que ele
nos disse foi: “Quem sobrevive é quem está mais preparado para mudanças, ou
seja, o mais adaptável”. Em um mundo de extrema competição como o que estamos
vivendo, pessoas e organizações precisam aprender a se adaptar, cada vez mais
rápido.
O que
determina o sucesso de uma organização é a capacidade de atrair a atenção dos
consumidores para as suas ideias, produtos ou serviços. E, para isso, é preciso
se diferenciar. A essência da inovação é a busca pela diferenciação. A
tentativa de deixar o cardume e buscar uma nova alternativa. Algo que, até
então, não acontece na tecnologia ou em qualquer outro lugar, mas
exclusivamente em nossas mentes. Uma capacidade que não dá para ser percebida
pelo exterior. Não importa a idade, a origem, o sexo ou a cor da gravata, mas
envolve a capacidade de navegar no problema sem se perder; modelar o todo e as
partes, fazer as perguntas certas, nas horas certas; vencer aparentes
contradições; manter a mente de criança; arriscar; e, assim, criar e contar uma
nova história.
Conhecimento
é a chave para abrir as portas da inovação e está diretamente ligado com a
qualidade de nossas fontes e o treinamento intelectual que nos colocamos. Se
procurarmos ideias radicalmente diferentes, nossa perspectiva precisa ser
radicalmente diferente. Richard Feynman, ganhador do Prêmio Nobel de Física de
1965, costumava dizer que se colocava no lugar de marcianos para se perguntar:
“O que eles iriam achar se encontrassem tal problema?”
Para
inovar, uma empresa necessita criar um ambiente certo, uma cultura certa para
inspirar as pessoas e potencializar suas mentes a atingir todo seu potencial.
Não adianta comprar máquinas, processos, sistemas e não trabalhar o indivíduo.
Trata-se da tarefa mais importante para os líderes de hoje. Em inovação não
existem fórmulas. Antes de criar as inovações, precisamos criar os inovadores.
Charles
Bezerra (Diretor-executivo do Gad’Innovation. Possui Ph.D. em Design pelo
Illinois Institute of Technology e trabalhou como consultor de inovação em
vários projetos internacionais para empresas como Steelcase, Sabre Holdings e
Marriott Hotels. Foi gerente de design para América Latina da Motorola e ganhou
o prêmio de ouro no IDEA’08. Também é autor do livro “O designer humilde:
lógica e ética para inovação”)
16/06/2010
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